0

She’s a little runaway

Alice só quer fugir. Correr, correr, correr. Fugir para bem longe daqui.

Advertisements
0

Dois mil e catorze

Alice diz que não sabe mais escrever. Que o texto não vem, que o parágrafo não tem ritmo, que as letras brigaram entre si e não querem mais se juntar. Há uma revolta no reino das palavras de Alice. Os adjetivos brigam com substantivos e os artigos desconfiam das preposições.

E bem por isso o ano virou sem balanço, sem resoluções. Nenhuma promessa foi feita por ela. Nem uminha. Alice pretende prometer menos e executar mais. Aprender que desistir pode ser a  melhor solução. Que mudar só depende de fazer uma nova escolha.

Que nesse ano Alice aprenda a escolher melhor.

0

Aliceteração

Alice alivia os dias em livrarias onde escolhe livros de leituras leves. Levanta lívida, vívida, quase levitando, quase livre. Sai no limiar do dia apenas para ver os lírios no campo da imaginação. Quem vê Alice passar sem pedir licença, lépida e intrépida, não imagina as muitas vezes em que é tão leviana. Do linóleo não se lembra, pois não guarda lembranças do seu lado libertino em épocas já longínquas, menos lúdicas do que gostaria. Do limbo ao livre arbítrio, Alice alitera, sem literalidade ou propriedade, o significado da sua própria alienação.

0

Leave Without a Trace

Em um final de fim de semana qualquer a gente se dá conta que a vida é curta demais para ficarmos presos a essa obrigação de trabalhar, de ganhar bem, de ser bem sucedido, de ter fama (nesses dias de internet), de ser melhor que alguém. Eu só quero passar os muitos anos que ainda tenho fazendo as coisas que eu realmente gosto e, infelizmente, nenhuma delas incluí vender o que as pessoas não precisam, montar keynotes e fingir que acrescento.

“Standing in the sun with a popsicle everything is possible.”

Tudo é possível.
Até mesmo acordar na segunda que chega, pedir demissão da vida que se leva e ser admitida na vida que se quer ter.